sexta-feira, 20 de julho de 2012

A culpa é sua...

Desculpa mas, é.

Desde quando começamos a mergulhar, aprendemos que nós somos responsáveis pela nossa segurança e de nosso dupla ou do time de mergulho. Mas quantas pessoas realmente param para pensar e ponderar sobre o assunto? E destas, quantas realmente assumem a responsabilidade por aquilo que elas fazem durante a atividade de mergulho?

Poucas, ao menos é a realidade que nos é aparente, nas escolas e locais de mergulho em que temos contato. As pessoas assumem que mergulho recreativo é sinônimo de atividade segura, assumem que é o papel das escolas e operadoras garantir o conforto e a segurança de seu mergulho.

E efetivamente, conscientemente ou não, colocam suas vidas e sua saúde nas mãos de terceiros, e talvez pensem: "estou pagando, os outros tem que fazer isso por mim". Vão para o mergulho como se fosse um parque de diversão, um ambiente controlado.

Mas o mar não é um ambiente controlado, um pouco, por isso vamos para lá, não é verdade? Para ver a natureza em seus estado, erm... natural. Mas a natureza não segue regras de segurança, não dá garantias, muito pelo contrário, a lei natural é "a sobrevivência do mais apto", os ineptos morrem, são comidos.

Você não pode falar para um leão ou tubarão, desculpe, eu paguei o ingresso, você não pode me comer, você não pode falar para seu pulmão sem ar que não fazia parte do seu contrato sufocar, você não pode ignorar o teto de uma caverna quando você nem devia estar ali para começo de conversa e se perdeu ou ficou sem ar.

As regras de segurança do mergulho e o equipamento servem para mitigar o risco de uma atividade que é inerentemente perigosa, você não precisaria de equipamento e treinamento se assim não o fosse, você está num local no qual o seu organismo de outra forma não poderia sobreviver, e sua vida depende do bom uso desse equipamento e do conhecimento e aderência as regras e habilidades necessárias para a execução desta atividade.

Quando você se certifica mergulhador a certificadora está declarando que você tem as habilidades e o conhecimento necessários para cuidar da sua própria segurança, que estes lhe foram ensinados e você "não é mais problema dela".

Um acidente de mergulho geralmente é resultado de uma seqüência de más decisões e negligências de adesão as normas de segurança, seqüência que pode ser interrompida simplesmente cumprindo regras simples e que lhe foram ensinadas.

Ainda assim, quando acontece um "acidente" de mergulho as pessoas começam a caçar culpados que não tenham sido as "vítimas". Mas uma "vítima" certificada, na maioria dos casos,  é quem tem todas as ferramentas para evitar o acidente na fonte,  e é juntamente com seu dupla ou companheiros de time de mergulho a maior responsável por seu próprio "infortúnio".

Se você morre num mergulho, o culpado não é o do guia, não é da escola, não é da operadora, não é do amigo que sugeriu o mergulho, estes podem até ser co-responsáveis, mas no fim das contas quem tem o poder final sobre as decisões é você mesmo.

Assuma a responsabilidade pela sua própria vida.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A segurança do mergulho e o DIR (Doing It Right)

Embora seja difundido o contrário, o mergulho é um esporte radical. Há vários riscos em sua execução, afinal, quando mergulhamos, estamos adentrando em um ambiente inóspito para seres humanos (não tem ar embaixo d'água =D). Apesar disso, o mergulho tem se tornado uma atividade extremamente comercial e, como consequência, as suas regras estão sendo relaxadas para atrair mais pessoas. Toda a segurança da atividade vem de regras bem estabelecidas e, quando estas deixam de serem cumpridas, os "acidentes" começam a acontecer.

Pensando nisso, o pessoal da GUE (Global Underwater Explorers) começou a ensinar as técnica de mergulho utilizando os conceitos do DIR (Doing It Right - "fazendo certo", em uma tradução livre para o português).

De onde veio o DIR?

A filosofia DIR veio do WKPP (Woodville Kasrt Plain Project), que conduzia mergulhos em ambientes perigosos e queria reduzir as taxas de acidentes.
Com isso, Jarrod Jablonski, diretor de treinamentos do WKPP, criou o sistema DIR de mergulho para aumentar a segurança durante esse complexos mergulhos.
O que muitos mergulhadores pensam é que essas regras são específicas para equipamento, o que não é verdade. As regras do DIR abrangem desde equipamentos até planejamento, condicionamento físico, técnicas, regras de grupo etc.
Acho que vale um novo post somente sobre as regras do DIR, mas isso é mais para frente.

Como o DIR chegou ao mergulho recreativo

Os conceitos do DIR estavam sendo aplicados basicamente em mergulhos técnicos, principalmente em caverna.
Jarrod viu a possibilidade de começar a ensinar esses conceitos desde o começo da formação dos mergulhadores, aumentando a segurança de todos os tipos de mergulho. Assim, ele fundou a GUE, para difundir o sistema DIR para todos os tipos de mergulhadores, incluindo os recreativos.
Hoje, vários centros/escolas de mergulhos são associados a GUE (é uma organização sem fins lucrativos), além de muitos instrutores independentes, e que ensinam mergulho usando o sistema DIR.

As controvérsias do DIR

O principal problema do DIR é o radicalismo de muitos de seus adeptos. Mergulhadores DIR não mergulham com quem não segue todas as regras, incluindo até mesmo staffs da embarcação. Isso fez com que o DIR começasse a ser visto com maus olhos por outros mergulhadores, e suas regras como extremas, distanciando-se do mergulho recreativo, que era o objetivo do GUE.


Acho que, no fundo, não importa qual certificadora ou filosofia você segue para mergulhar recreativamente, pois todas elas possuem regras de segurança bem definidas. O que importa mesmo é o quanto dessas regras você segue na hora de mergulhar. De nada adianta ser certificado com uma filosofia radical de segurança se você não a segue. Lembre-se que o principal responsável pela segurança do mergulho é o próprio mergulhador.

Para quem quiser conhecer mais sobre o DIR, recomendo o livro Doing it Right: The Fundamentals of Better Diving, do próprio Jarrod Jablonski. Para quem for adepto de tecnologia, há também a versão ebook.

Fontes:

  • Wikipedia
  • Doing it Right: The Fundamentals of Better Diving
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